
Estava noiva há seis meses. Quem diria que em tão pouco tempo minha vida fosse mudar tão rápido... Antes Clarissa, hoje, Cléo. A verdade é que nesses lugares ninguém se preocupa com nomes. Poucos se lembram de perguntar e os que o fazem agem querendo sexo, mas antes disso já nos chamam por nomes de antigos desgostos.
O novo nome, além de uma exigência da profissão, serve como fuga daquela vida correta, no papel de filha comportada e futura esposa dedicada. Aquela não era minha vida, e ficava aterrorizada com essa perspectiva. Mas vai dizer isso para o corno que me pegou com outro a vinte dias do casamento. Por Deus como um milagre desviou aquela bala. Fugi sem nada, vida nova, mas até hoje tenho medo de encontrá-lo por aqui.
Não queria que me visse num lugar desses, isso é um meio, não um fim. Ainda tenho meus sonhos, um futuro com roupas limpas, lençóis cheirosos e vida diurna. É assim que, todos os dias, e em cada forasteiro que encontro, vejo uma forma de sair desse buraco e começar, pela terceira vez e longe dessa cidade, uma vida nova.
E lá estava ele. Não parecia muito confortável, um bom sinal para quem, apesar da situação, procurava homens distintos. Um olhar desviado, jeito envergonhado e ombros de submissão, não mais que isso para conquistar qualquer um, como são tolos.
Sem muitas palavras, fomos direto ao seu hotel. Mantenho minha pose de menina recatada e evito o falatório. Isso ajuda a criar um clima de romance - muitos fantasiam estar passeando com suas senhoras - além disso, perguntas nessas horas só atrapalham.
Ao entrar, me pediu desculpas pela bagunça. Achei engraçado aquilo. Qual homem se importa com isso? Ele não reparou no lugar onde estávamos antes? Mas mostrou um pouco de preocupação, enfim, e isso é bom. Amenizou aquela situação de desconforto inicial.
A pegada não foi lá grande coisa, mas nada que não se aprenda com o tempo. E que mania eles têm de apagar segundos depois. Não que eu quisesse juras de amor, dormir abraçados... não no primeiro encontro, mas acho isso uma falta de educação. E a que horas sairei? Ele completará o pagamento por toda a noite? Detalhes técnicos me preocupam, ainda tenho o resto da noite para faturar.
- Quem está aí? Perguntei baixinho assim que ouvi a porta abrir. A lembrança do corno me veio à mente, gelando minha alma. Seria possível me encontrar aqui?
Estava escuro, mas sentia que alguém se aproximara. Passos calculados e imperceptíveis. Levanto de súbito e tento sair... Algo atingiu minha garganta e o escuro do quarto ficou ainda mais negro. Não sentia dor, também não tinha mais medo.
O novo nome, além de uma exigência da profissão, serve como fuga daquela vida correta, no papel de filha comportada e futura esposa dedicada. Aquela não era minha vida, e ficava aterrorizada com essa perspectiva. Mas vai dizer isso para o corno que me pegou com outro a vinte dias do casamento. Por Deus como um milagre desviou aquela bala. Fugi sem nada, vida nova, mas até hoje tenho medo de encontrá-lo por aqui.
Não queria que me visse num lugar desses, isso é um meio, não um fim. Ainda tenho meus sonhos, um futuro com roupas limpas, lençóis cheirosos e vida diurna. É assim que, todos os dias, e em cada forasteiro que encontro, vejo uma forma de sair desse buraco e começar, pela terceira vez e longe dessa cidade, uma vida nova.
E lá estava ele. Não parecia muito confortável, um bom sinal para quem, apesar da situação, procurava homens distintos. Um olhar desviado, jeito envergonhado e ombros de submissão, não mais que isso para conquistar qualquer um, como são tolos.
Sem muitas palavras, fomos direto ao seu hotel. Mantenho minha pose de menina recatada e evito o falatório. Isso ajuda a criar um clima de romance - muitos fantasiam estar passeando com suas senhoras - além disso, perguntas nessas horas só atrapalham.
Ao entrar, me pediu desculpas pela bagunça. Achei engraçado aquilo. Qual homem se importa com isso? Ele não reparou no lugar onde estávamos antes? Mas mostrou um pouco de preocupação, enfim, e isso é bom. Amenizou aquela situação de desconforto inicial.
A pegada não foi lá grande coisa, mas nada que não se aprenda com o tempo. E que mania eles têm de apagar segundos depois. Não que eu quisesse juras de amor, dormir abraçados... não no primeiro encontro, mas acho isso uma falta de educação. E a que horas sairei? Ele completará o pagamento por toda a noite? Detalhes técnicos me preocupam, ainda tenho o resto da noite para faturar.
- Quem está aí? Perguntei baixinho assim que ouvi a porta abrir. A lembrança do corno me veio à mente, gelando minha alma. Seria possível me encontrar aqui?
Estava escuro, mas sentia que alguém se aproximara. Passos calculados e imperceptíveis. Levanto de súbito e tento sair... Algo atingiu minha garganta e o escuro do quarto ficou ainda mais negro. Não sentia dor, também não tinha mais medo.
Continua...


4 comentários:
Ufa!
E eu já não sinto mais curiosidade!
Muito bom!!!
=)
Bjos
Ficou massa muleque! Vou entrar em contato com a Patricia e pedir para ela se mudar dai ainda hoje. Quem tem cabeça para escrever uma coisa dessas é pq no silêncio de sua mente imagina coisas mto piores.
hehehe
Mto bom!
Uau...estou ansiosa para ler a continuação. :)
Esperando pela continuação, to meio curioso , boa historia ^^ , se continuar assim , vai longe, boa sorte ai
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