02 abril 2009

Quarto 203 - Episódio I


Mais uma noite de sábado gasta com bebidas, gente desinteressante e fedida. O Delírio’s Bar era a única opção da cidade, mas tinha suas qualidades. A crítica inicial se deve ao meu estado de espírito. Hoje não estou num dia bom e nessas situações não vemos mais que um bando de dementes, drogados e mal cheirosos, incluindo as mulheres que fedem ora pelo suor da dança e dos vícios, ora por suas loções exageradas.

Enfim, era um bom lugar para gente como nós.

3h30 da manhã, não aguentava mais e resolvi sair. Há dias em que devemos saber quando nos recolher e não esperar que o sol da manhã revele o que nos tornamos. Pela saída já dava pra ver o resultado de toda aquela mistura: muito vômito, garrafas jogadas, mulheres descabeladas e com os olhos sujos de maquiagem derretida. Lastimável...

Mas não era tudo. De relance, percebi que uma galega me olhava. Frequentando esses lugares você fica habilidoso em certas artes, e essa era uma que eu dominava. Enfim, ao menos a noite não estava de toda perdida.

Fomos caminhando até o hotel onde estava hospedado. Não, não pertencia a essa cidade. Estava de passagem. Em dois dias estaria trabalhando em um lugar perto daqui, em outro desses ofícios degradantes.

Quarto 203! Chegamos. Abri a porta, tirei o chapéu e pedi que não reparasse na bagunça - essas coisas que dizemos sempre pra anteciparmos a crítica, ou avançarmos na intimidade, ela não era de conversar muito. Mas não se importou, talvez achasse o lugar até melhor do que outros que já frequentara.

Calor, como era quente aquele lugar! Ainda mais na cama, pele sobre pele, quarto fechado. Estava como gostava. Nessas horas não sabia mais distinguir meu suor do dela, os dois, enfim, numa fedentina só.

6h10 da manhã. Abro os olhos devagar, estava relaxado. Lembrei que há dias não dormia tão bem. Percebo então que a cama estava molhada, mas não podia ser suor, era viscoso. Levanto de um pulo só.

- Puta merda! Mas que diabos!

No chão também havia manchas. Resolvi segui-las, mesmo que ainda nu, sujo de sangue e com perguntas a me torturar: como não ouvi nada? Havia um corpo? Qual o nome dela? pergunta que só me veio agora.

Lá fora, a cidade acordada. Não a reconhecia, havia muita cor. Meus olhos se encheram de lágrimas devido à claridade. Ao longe, ouço uma voz gritar e aquilo apertou meu peito: - Assassino!

Continua...

9 comentários:

nanddy disse...

Oba!! Historinha de terror...

Muito boa essa ilustração!
Parabéns!!
=)

Unknown disse...

Aí Walter,
boto fé de você botar nessa história um zumbi com serra elétrica, que só ressucita ao som de aviões do forró.

nanddy disse...

Ah não! Aviões do forró não...
ahauihaiahiuahai

Adorei o início da história... Estou curiosa!
=P

Patrícia disse...

Adorei essa ilustração, uma das melhores até agora!

Anônimo disse...

O que acontecerá? Estou curiosa!

lucas amora disse...

Porra Elder!

Pela pouca experiência que outrora tive no assunto e pela leitura da ilustração. A mulher estava menstruada e levantou de fininho para não acordar o protagonista por vergonha. Já o que dormiu até mais tarde acordou com alguma DST da pesada. Já o grito de assassino, nada mais é que um amigo tentando sacanear o outro numa manhã qualquer.

Maisa disse...

e ai? cade a continuação?

. disse...

Oi Maísa, já já publico a continuação. Só faltam alguns detalhes hehehe abraços

nanddy disse...

Meu filho...

Poste logo a continuação...
=P

Aff!

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