
Sua alegria contrastava com a da vítima, momentos antes do ataque. Qual motivo teria para tamanha brutalidade? Ninguém sabia dizer, mesmo porque ninguém suspeitava dela. Não acreditariam que de mãos tão fracas e enrugadas e ossos tão velhos e quebradiços sairia alguma força para matar quem quer que fosse.
A umidade, de certa forma, não a impedia. Não era uma questão definida, encerrada, cuja obrigatoriedade de uma levasse à outra. Mas assim preferia. Gostava do cheiro da terra molhada, do final de tarde com céu escuro e nublado, da noite iluminada por raios. Havia uma diferença no ar, um clima de suspeição que impunha medo às pessoas e as obrigava à reclusão. Era aí que ela agia.
Mas não atacava qualquer um. Era criteriosa. Gostava principalmente das conhecidas, amigas de longos papos que, de alguma forma, a contrariavam. Ficava furiosa, mas sabia esperar. Planejava todos os passos e as crueldades que faria, dependendo do quão brava a vítima a deixava.
E eram assim esses dias. Não levantava suspeita. Já se acostumara a fazer-se surpresa toda vez que alguém lhe anunciava o terrível acontecimento. Vestia-se de preto, colocava seu melhor sapato e ia à casa da vítima prestar condolências à família. Claro, não esquecia do guarda-chuva, pois, com esse clima doido, ninguém sabe quando pode chover.


2 comentários:
Parabéns tio Elder!!
Muito boa a história. Melhor ainda a ilustração!
Mas eu já suspeitava dessa velhinha "inocente".
=)
Bjos
Irado Walter!
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